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Mostrando postagens com o rótulo Crônicas

A melodia do cuidado

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Pela janela aberta da cozinha os tons alaranjados do sol poente projetam a sombra de um pássaro pousado no beiral. Seu piado ritmado e os movimentos rápidos da cabeça buscam encontrar o melhor ângulo para investigar o ambiente. Ao me ver, dá um curto salto para o lado oposto à minha direção como se estivesse tomando distância, e voa para a árvore em frente. De lá observa, mas sem fazer barulho, as folhagens disfarçam sua silhueta, que fica aparente somente quando sobe um pouco mais alto no mesmo galho.

Crônicas de um relógio parado II

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Feito de madeira com verniz escurecido, o relógio está parado, os ponteiros prateados sinalizam o número 10 com as horas e um pouquinho depois do 2 está a marcação dos minutos. Destacados por um fundo preto, parecem anunciar a vinda de algo.

A vespa, o ego e o sofrimento milimétrico

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Era um início de noite de uma terça feira quente. Na garagem, as crianças brincavam. Tudo transcorria na normalidade, até eu passar a mão esquerda pelo meu pescoço e sentir uma ferroada.  Uma vespa acertou o meu mindinho e no reflexo a joguei no chão. Assim como os pequenos obstáculos do dia a dia, o ferrão não parecia ter me ofendido muito. Retirei-o, passei pomada e noite que segue.

Coreografia das formigas

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Amanhece. Os primeiros raios do Sol transpassam o orvalho nas folhas da grama e criam uma microprojeção suave da claridade ainda nascente. Ali perto, um monte de terra cuidadosamente escavada circunda um buraco e logo se vê apontar daquele ponto escuro: duas antenas, uma cabeça, que em seguida se levanta sobre seis pequenas patas.

Ganhos secundários

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O despertador do celular começa a tocar, são 5h30! – Ah, só uma soneca... Agora, 5h35 e novamente, ouve-se o barulho do alarme. – Parece que nem dormi, vou colocar outra soneca e ganho uns minutinhos de sono. O canto de pardais, bem te vis e outros pássaros anunciam o início de um novo dia, a claridade do Sol projetada na janela já não permite o domínio da escuridão total no quarto.

Próxima parada: a mudança!

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O ônibus para no ponto por alguns segundos e várias pessoas começam a descer. Logo de início, desce uma senhora, cabelos brancos, caprichosamente alinhados até a altura das orelhas. Óculos de cor castanho claro e roupas estampadas com flores, rosa e amarelo são predominantes. A bolsa de alça segue firme, presa entre o cotovelo e a lateral do corpo. Naquele movimento de sair do veículo é possível notar a figura de um rapaz.

As cores e os caminhos

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Um pintor famoso enfrentava uma crise de falta de criatividade. Imaginava já ter pintado tudo o que poderia, ele não via mais novidade nas formas do mundo. Andava de um local a outro com uma tela e seu estojo de pintura, sempre em busca de objetos, situações, coisas ou pessoas que desafiassem seus sentidos.

Quem não solta os cachorros, não caça encrencas

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Tiago morava no bairro Morro Verde, local tranquilo. A maior movimentação acontecia quando as pessoas saíam de casa para seus afazeres rotineiros ou ao voltarem no final da tarde. Em uma das casas morava João, um pouco desleixado no cuidado com a casa e sem muita preocupação com o que acontecia na vizinhança. Ele tinha um cachorro, Furacão, um vira-latas de porte médio com pelagem entre o marrom e caramelo, nariz preto e focinho branco.

As suas visitas e sua companhia

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  Era meio de semana, uma quarta-feira ensolarada. As nuvens podiam ser contadas nos dedos das mãos. Na cozinha, havia uma mesa de madeira quadrada, toalha com estampa de flores vermelhas e amarelas. Quatro pessoas almoçavam juntas. O local era a casa de uma delas, e o relógio já passava de meio dia. A comida era um macarrão espaguete ao molho de tomates frescos, refogados com cebola, bem picadinha, que com os pedacinhos fritos no azeite ainda conservava certa textura de firmeza, contrastando com o modo fluido do molho. O manjericão colhido minutos antes completava os aromas e sabores.

Crônicas de um relógio parado I

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  No final do corredor que atravessa a casa, acima do batente do quarto, há um relógio de ponteiros, móvel com sinal de que já tem décadas desde a fabricação, mas sempre a marcar o horário de 10 horas e 13 minutos.