As suas visitas e sua companhia

 


Era meio de semana, uma quarta-feira ensolarada. As nuvens podiam ser contadas nos dedos das mãos. Na cozinha, havia uma mesa de madeira quadrada, toalha com estampa de flores vermelhas e amarelas. Quatro pessoas almoçavam juntas. O local era a casa de uma delas, e o relógio já passava de meio dia.

A comida era um macarrão espaguete ao molho de tomates frescos, refogados com cebola, bem picadinha, que com os pedacinhos fritos no azeite ainda conservava certa textura de firmeza, contrastando com o modo fluido do molho. O manjericão colhido minutos antes completava os aromas e sabores.

A reunião seguia animada, além da satisfação da refeição, também havia o prazer de conversar uns com os outros, cada um com seu perfil próprio, sendo um mais falante, outro observador, um terceiro só queria saber de comer, estava faminto, e o último era o dono da casa, o elemento que agregava os demais.

Contudo, ao passar do tempo, as pessoas ficaram satisfeitas com o almoço, já tinham colocado a conversa em dia e os compromissos pessoais começavam a ser lembrados em meio aos assuntos discutidos no entorno da mesa.

O mais falante fez um gesto virando a cabeça, olhando para cada um, buscando a atenção de todos, e acentuadamente diz: “- A comida e a conversa estão boas, mas preciso ir, tenho que resolver umas pendências no meu trabalho”.

“- Vou aproveitar que você vai e sairei também, a comida me lembrou de que devo ir ao mercado comprar as coisas para comer durante a semana”, completou o observador.

Antes de se despedir destes dois, o dono da casa ainda tenta convencê-los a ficar mais uns minutos “- Ah que pena, não vão esperar nem o café?”.

Sorrindo, os dois fizeram uma gentil negativa com a cabeça e encaminharam-se para a porta de saída.

Ao retornar a mesa, após acompanhar os dois amigos, o dono da casa é perguntado por aquele terceiro amigo que chegou faminto: “- Eu preciso ir também, mas como sei que sabe fazer um café muito gostoso, eu gostaria de uma xícara antes de voltar para a minha casa”.

Alegre por ter a companhia por mais um tempo, fez o café, e ali ainda permaneceram por cerca de três quartos de hora conversando e apreciando a bebida quente.

“- Agradeço muito a comida e o café, mas deu minha hora!”, afirmou o último remanescente, levantando-se da cadeira para dar um abraço de despedida no anfitrião, deixando-o sozinho em casa com os seus afazeres.

Assim como o anfitrião, na nossa vida dividimos momentos com várias pessoas dos variados tipos e perfis. Estas trazem histórias e vivências para compartilhar com a nossas, porém por mais prazeroso que seja a reunião, ao final desta, cada um precisa tomar conta da sua própria existência, pois a única pessoa que vai te acompanhar por todo o tempo é você mesmo.

 

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