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As multiplicidades de um tempo sem ponteiros

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Lá fora, ainda está escuro, e o silêncio da chegada sorrateira dos primeiros raios solares descobre um dos últimos resquícios da noite anterior. Coloco o pão francês amanhecido sobre a frigideira quente com a coordenação motora ainda reduzida pelo despertar. Em uma dimensão diferente do meu corpo, a mente já começa a pensar na mochila das crianças, nos ingredientes para o almoço, nos clientes marcados para o dia... cada vez mais longe.

Não é o prazo, mas o peso que tensiona a sacola

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Estava no mercado na terça-feira às 16h47. Não tinha comido nada durante toda a tarde e buscaria meus filhos na escola em 10 minutos. A lista de compras tinha frutas, macarrão, leite, pão e queijo, mas a fome apontava para o enroladinho de salsicha e esfirra a cinco pessoas de distância na fila da padaria. Estava encurralado pela prioridade e urgência.

A melodia do cuidado

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Pela janela aberta da cozinha os tons alaranjados do sol poente projetam a sombra de um pássaro pousado no beiral. Seu piado ritmado e os movimentos rápidos da cabeça buscam encontrar o melhor ângulo para investigar o ambiente. Ao me ver, dá um curto salto para o lado oposto à minha direção como se estivesse tomando distância, e voa para a árvore em frente. De lá observa, mas sem fazer barulho, as folhagens disfarçam sua silhueta, que fica aparente somente quando sobe um pouco mais alto no mesmo galho.

Meditação moderna e o mantra algorítmico

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O celular vibra e uma notificação aparece na tela. Com apenas o ícone e um nome tem-se um convite para a curiosidade. Vindo da rua é possível escutar os carros acelerando e ouvir histórias das conversas alheias sem saber o começo e nem o fim. Os latidos e o piar dos pardais são ouvidos em meio à multidão sonora da vida cotidiana.