Próxima parada: a mudança!
O ônibus para no ponto por alguns segundos e várias pessoas começam a descer.
Logo de início, desce uma senhora, cabelos brancos, caprichosamente alinhados até a altura das orelhas. Óculos de cor castanho claro e roupas estampadas com flores, rosa e amarelo são predominantes. A bolsa de alça segue firme, presa entre o cotovelo e a lateral do corpo.
Naquele movimento de sair do veículo é possível notar a figura de um rapaz.
Com passos apressados, aparentando entre 35 a 43 anos, um homem ultrapassa aquela senhora. Cabelo bem penteado, vestindo calça jeans e camisa tipo polo, movimenta-se discretamente como uma sombra com seus trajes em tons do azul escuro ao preto.
Por último, em meio a fumaça exalada pelo motor do ônibus praticamente entrando em movimento, sai uma jovem.
Com ar despreocupado, surge na escada com fones de ouvido branco e uma mecha dourada como se fosse o reflexo da iluminação sobre os cabelos escuros que descem até os ombros. A saia justa preta contrasta com a camiseta branca na altura do umbigo de mangas largas e longas.
Se a senhora é a avó de alguém, impossível afirmar. Se o homem é um pai de família e trabalhador, não se pode ter certeza. Se a jovem é uma filha que saiu para passear... quem sabe?
Apenas uma olhar bastou para perceber algo comum entre ela: o tempo irá passar para todos.
E com isso a sucessão de gerações é inevitável, e essa inevitabilidade traz junto as mudanças como movimento natural.
O mundo em que aquela senhora foi jovem não é igual ao mundo da moça atual, assim como o homem vai viver uma velhice em tempos muito diferentes, e a menina não faz ideia do que será o futuro.
Foi só um momento, mas em poucos segundos a vida se desdobrou em passado, presente e futuro. Histórias e possibilidades, mostrando sua imortalidade fugaz através das gerações.
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