Ganhos secundários
O despertador do celular começa a tocar, são 5h30! – Ah, só uma soneca...
Agora, 5h35 e novamente, ouve-se o barulho do alarme. – Parece que nem dormi, vou colocar outra soneca e ganho uns minutinhos de sono.
O canto de pardais, bem te vis e outros pássaros anunciam o início de um novo dia, a claridade do Sol projetada na janela já não permite o domínio da escuridão total no quarto.
Enquanto isso... incansável, o alarme volta a chamar a atenção como se estivesse gritando: Já são 5h40!
Sonolento, e como se se apegasse aos resquícios da escuridão do dia anterior, desativa o despertador, calcula e programa: eu trabalhei muito ontem. Vou trocar o café da manhã por mais 15 minutos.
Com a sensação da duração de um virar para o outro lado da cama, um aviso sonoro indica que um quarto de hora já se passou.
- Não acredito que já deu o tempo, parece que só fechei os olhos, preciso me recompor, só ficarei deitado mais cinco minutos e me levanto às 6h. Hoje o dia vai ser cansativo.
Tão confiante quanto sonolento, nem programa o despertamento, respira profundamente e o sono deixa o corpo imóvel, como se aqueles fossem os últimos suspiros de quem vai se encontrando com a morte.
Mas tão certo quanto o fim da vida física, o novo dia assume o ambiente – o calor substitui a brisa fresca e a rotina da coletividade acrescenta novos sons à sinfonia antes dominada pela natureza.
De súbito, acorda atordoado, com os raios do Sol prenunciando de uma só vez todos os acontecimentos do mundo externo. Sair da cama é como deixar o ventre materno, é necessário pular para a vida já em movimento.
Instintivamente, pega o celular e vê o horário, 7h15. Inconformado e sem tempo para comer, junta suas coisas apressadamente para iniciar sua jornada diária.
Os cinco minutinhos renderam um ganho de sono a mais, porém ficará a sensação de que os juros da inércia do despertar serão altos e pagos ao preço da finitude da sua vida.
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