Meditação moderna e o mantra algorítmico
O celular vibra e uma notificação aparece na tela. Com apenas o ícone e um nome tem-se um convite para a curiosidade.
Vindo da rua é possível escutar os carros acelerando e ouvir histórias das conversas alheias sem saber o começo e nem o fim. Os latidos e o piar dos pardais são ouvidos em meio à multidão sonora da vida cotidiana.
A impressão digital ativa a entrada no mundo artificial e os barulhos vão ficando mais distantes. Abafados por notificações e rolagem infinita, o ambiente externo todo se silencia.
Mensagens são respondidas, alguns vídeos são assistidos e outros tantos encaminhados. A mente sedenta por recompensas promocionais também lê as manchetes de diversos sites para se atualizar do que está acontecendo lá fora.
Com a mesma facilidade das notícias padronizadas, a mente replica o mesmo padrão para as suas interações, e a frenética conexão online parece anestesiar os sentidos humanos. Uma teia mundial nunca fez tanto sentido.
Um cachorro desaparecido surge na tela e atrai atenção e comoção, mas esquece-se do latido daquele que está na esquina com a primeira notificação. A vida perde o lugar para a holografia interativa.
Tudo no ambiente digital parece ter proporções gigantescas, uma opinião que antes era compartilhada no bar agora vira tese para o mundo revolucionar. Contudo sua natureza ainda continua a ser um ponto de vista.
Usa-se de Memes, figurinhas, vídeos curtos para expressar e compartilhar emoções e sentimentos, que vão desde a indignação pública por uma notícia sobre violência até mobilização para doação de mantimentos.
Talvez não exista mais um espaço informatizado, mas sim uma dimensão digital, pois trata-se de algo acessível e projetável regido pela silenciosa lei do mantra algorítmico, internalizando o virtual na vida real, apenas parcialmente interrompido pela notificação de bateria baixa.
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