O carro, a casa e o travesseiro
Evidente que não se trata de ficar na inércia, porém de aprender a tirar o melhor proveito do descanso e para isso será preciso perceber em que estado chegamos ao nosso momento de repouso. Vamos analisar
Primeiro, vemos que durante o período acordado gastamos energia com nossas atividades. E em decorrência dos afazeres, acumulamos ideias, relacionamentos, obrigações, irritações etc.
É como utilizar o carro no dia a dia, gasta-se combustível para se locomover e junta-se dentro do veículo uma série de itens que serão ou foram usados no cotidiano: uma blusa de frio, notebook do trabalho, uma vasilha de plástico de comida ou nota fiscal do mercado.
Terminada a corrida do dia, voltamos para casa para descansar e nos recompor. Até aqui, tudo ok.
Bagagem
Assim como acumulamos coisas dentro do veículo, também fazemos isso com nosso ser, seja no plano mental, emocional ou físico, por exemplo: uma situação que causou irritação e não consigo esquecer.
Quem nunca foi para cama pensando em algo que deveria ter feito, ou que irá fazer no próximo dia, mas já está adiantando os possíveis efeitos que nem aconteceram ainda?
Essas circunstâncias oriundas das nossas vivências cotidianas constituem nossa bagagem existencial. Tais experiências têm um viés prático, representando a interação com o mundo.
Porém, assim como os pertences no carro, essas interações ocupam uma dimensão em nossa vida, traduzindo: ficar irritado novamente com uma situação passada indica que aquela circunstância está habitando o plano da nossa existência.
Dessa forma, as situações, sentimentos, emoções e ideias são percebidas como verdadeiros objetos compondo nossa casa existencial.
Note que a questão principal não é o acúmulo em si, mas a nossa relação com as percepções vindas dessas interações.
Casa cheia
Ora, se eu entro em casa e vejo a louça na pia, cama desarrumada, excesso de coisas no sofá sem lugar para sentar-se e fico irritado com meu local de descanso, então muito provavelmente o meu tempo de repouso será afetado negativamente.
Assim como fazemos com o carro, transportamos do nosso cotidiano para a nossa vida uma série de questões que corporificam experiências.
As experiências são úteis e necessárias para o nosso aprimoramento como seres humanos, como são os instrumentos de trabalho e do cotidiano.
Contudo, quando essas corporificações passam a ocupar um espaço, e se deixar o ambiente desconfortável é sinal de que a relação de pertencimento àquele local é problemática.
A sensação de casa entulhada é a mesma coisa de ir dormir com a cabeça cheia de pensamentos, angústias e inquietações.
Liberte-se
Assim como o carro é o nosso cotidiano, a nossa casa simboliza o momento de repouso, e se trazemos todas as quinquilharias do dia entulhando a nossa casa, então meu descanso será afetado.
E com o sono ruim o que acontece no dia seguinte? Acordo cansado, com sensação de pouca energia e, provavelmente com a “cabeça cheia”.
É aqui que entendemos a importância de se libertar do entulho acumulado ao longo do dia para conseguir um sono de qualidade.
Para ajudar a eliminar esse acumulado proponho o exercício simples:
1- antes de dormir pensa nas coisas que te incomodam se pergunte: eu vou conseguir resolver isso neste exato momento?
2- Liberte-se do que não te pertence (não leve os problemas dos outros e do mundo para cama)
3- Desligue-se dos pensamentos, emoções e sentimentos que te causam inquietação
4- Olhos fechados, mente limpa, dormindo em seguida.
Meu propósito não é oferecer autoajuda nem dicas de performance oníricas, apenas te fazer refletir do que está indo para a cama com você.
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