Meu trânsito, minhas regras
O trânsito, em especial, muitas vezes é visto de maneira restrita a esse ir e vir, contudo, é muito mais que isso: engloba leis, circulação de pessoas e bens e, principalmente, revela aspectos internos do ser humano.
A ideia geral é da influência do meio no indivíduo, por exemplo, um engarrafamento pode provocar irritação, enquanto uma estrada com paisagem bonita ajuda a relaxar.
Contudo, notamos que comportamentos como furar o sinal vermelho, atravessar fora da faixa, estacionar ou ultrapassar em local proibido são muito comuns, e na maioria das vezes independem das características do próprio trânsito.
Isso acontece porque tais situações são oriundas do indivíduo e espelham apenas o que já existe em cada um.
Espelho interior
A relação com o trânsito revela muito sobre o estado interno
da pessoa: é regido por
regras que definem condutas e praticá-las ou não
está no âmbito de atuação individual.
Além disso, é importante notar que este deslocamento também faz parte da ideia da própria autonomia do indivíduo, visto a liberdade de se escolher para onde vai e os meios de se chegar lá.
Mas, como vivemos em comunidade, muitas pessoas compartilham rotas e meios de locomoção, assim, as interações individuais se entrelaçam com o coletivo.
Portanto, não é apenas um caminho, mas sim um exercício de expressividade individual em meio à coletividade, transparecendo a relação do indivíduo com o comunitário.
Pisca alerta resolve tudo
Expressar a individualidade no coletivo em si não é um problema, a questão fica complicada quando esse ato subverte uma lógica comportamental da boa convivência para atender ao interesse próprio.
Veja, por exemplo, o motorista que estaciona em local proibido e simplesmente liga o pisca alerta como se esse ato garantisse uma exceção à proibição. Normalmente a justificativa é: mas é rapidinho!
Pode até ser rapidinho, porém, se existia uma proibição é por haver um motivo, que geralmente está alinhado à segurança. Assim burlar tal mecanismo é colocar em risco não apenas a si mesmo, mas os outros que interagem com aquele sistema.
Podemos citar também as ultrapassagens, quando realizadas em locais proibidos ou quando feitas de maneira imprudente. É como se aquele que ultrapassa tivesse o tempo mais valioso que os demais.
Tais comportamentos de desprezo às regras expressam os conceitos que a pessoa carrega internamente, pois são atos voluntários, e demonstram a escolha por determinada conduta, que no trânsito vai se traduzir na relação entre comodidade individual e risco coletivo.
Esses conceitos internos transparecem facilmente no trânsito, pois, além deste representar um ato de autonomia pessoal as regras não oferecerem muitas vezes um freio imediato.
Como as leis de trânsito precisam de uma fiscalização incisiva para punir infrações, o freio está mais condicionado à conscientização do que a própria punibilidade das transgressões.
As barreiras repressivas externas limitam a expressão dos conceitos pessoais na medida da efetividade da fiscalização, portanto a expressividade da pessoa estará ligada, em maior proporção, aos seus valores internos.
Na prática, há quem respeite o limite de velocidade – e há quem apenas freie ao ver o radar. Assim atualizo um velho ditado: diga-me como atua no trânsito que direi quem és!
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