Você já se escutou hoje?
Este texto é um pouco diferente, vamos iniciar com um exercício e depois as discussões. Para tirar o melhor proveito do conteúdo siga a ordem proposta.
Se quiser pode pular o exercício e ir direto às reflexões, porém realizando o exercício vai ter uma experimentação mais expansiva do que é sair do automático da vida.
Então vamos lá! E não se preocupe, o exercício é para durar cinco minutos, o restante do tempo você aproveita na leitura.
Primeiro, encontre um local em que possa ficar confortável e não ser interrompido por cinco minutos. Esse tempo deve ser cronometrado com despertador para não dormir ou se perder em devaneios.
Agora, vai fechar os olhos se imaginar como um observador, mas de si mesmo. Para isso visualize que está atrás de você mesmo se olhando naquela posição.
Nesse momento assuma uma posição de observador, assim como alguém que observa o movimento de uma rua, somente notando o vai e vem dos carros, pessoas, as cores das casas, os sons do ambiente urbano etc.
No entanto, em vez da rua, observe a si mesmo, os pensamentos que aparecem na sua mente, como este aparecem, como se respondem ou correspondem entre si, memórias que podem surgir. Vai notar que em cinco minutos sua vida mental tem uma vivacidade impressionante.
Faça isso durante os cinco minutos. Assuma uma posição de observador atento, mas sem emitir qualquer juízo de valor, repreensão ou tentando interferir no que está notando.
Com o despertar do alarme termine a experiência e agora sim comece a refletir no ambiente que encontrou ao se observar.
A dimensão mental
Conseguindo realizar o exercício a contento é bem possível perceber que na maioria das vezes o nosso quadro mental é mais agitado que uma rua movimentada de uma grande cidade.
É como se fosse cruzamento de intenso fluxo de tudo, pois nossa mente ao contrário do mundo físico não está limitada às três dimensões, digo isso porque além da altura, comprimento e largura, também há a dimensão das emoções, sentimentos e pensamentos.
Para esse texto, esse mundo que se passa na sua mente na qual convivem as percepções captadas do exterior junto com as impressões subjetivas como emoções, sentimentos e pensamentos compõem nossa dimensão mental.
Vamos a um exemplo. Aquele cheiro de comida que traz à tona um sentimento familiar, relembrando locais, pessoas e até objetos. Sabe quando alguém exclama: “isso tem gosto de infância!”. É exatamente este o ponto.
Outras vivências
Vamos a algumas outras situações que pode ter vivenciado.
Uma delas é notar alguns pensamentos que se contradizem, e muitas vezes um atropelando o outro na tentativa de capturar a sua atenção. Como se fosse um reels das mídias sociais.
Já uma terceira opção é terminar o exercício com o pensamento de que não fez o experimento seja por qual motivo for, que vai desde ficar ansioso para o despertar do relógio até ficar pensando no que deveria fazer.
Neste último quadro, é bem provável que nem sequer chegou a adentrar o seu mundo mental.
Contudo, independentemente da situação que vivenciou veja o quanto aquela realidade experimentada durante o experimento traz correlação com a sua vida diária.
Vida mental diária
Quanto ao exemplo do “gosto de infância” perceba a complexidade associativa criada por uma memória, capaz de relacionar o paladar com sensações abstratas e remeter a um local em determinado instante no passado.
Isso demonstra como o nosso dia a dia não é apenas uma sucessão de acontecimentos, ele tem uma significação, pois trata-se da nossa vida.
Mas se você não esteja criando mais sensações como esta talvez seja melhor refletir sobre o quanto está realmente vivendo ou apenas sucedendo os dias.
Agora, se a sua mente funciona como um eterno “arrasta pra cima” é bem provável que não consiga focar em suas atividades e fique pulando de uma a outra durante o seu dia. Você pode até ter iniciativa, mas certamente deve faltar “acabativa”.
Por último, se nem adentrou ao seu mundo mental talvez seja a hora de pensar se realmente você faz parte da sua própria vida.
Irradie-se
Se chegou aqui sem fazer o exercício, espero que tenha ficado curioso sobre a experimentação, mas se fez acredito que esteja espantado com o que viu a partir da observação de si mesmo.
Essa prática tem o objetivo de colocar te fazer um observador atento e ativo, não apenas contemplando a situação na passividade e nem simplesmente reagindo ao que acontece, mas apreender aquela realidade para agir sobre esta, e não reagir de maneira quase reflexa.
Embora seja necessária uma organização da nossa identidade e da realidade para se expressar na linearidade da vida, deve-se levar em consideração que o ser humano está além dessa sucessão de fatos, o mundo mental comprova isso.
É como uma vela acessa, o ser seria o fogo que irradia para todas as dimensões, quando o transcorrer do tempo da vida é como a parte de cera que é queimada. Agora é você que decide brilhar pelo tempo que está aqui ou ser apenas consumido pelo transcurso do ciclo.
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