Guerra demais, paz de menos
Como já tem bastante material sobre estratégias para concretizar sonhos, melhorar performance, situações financeiras, profissionais ou pessoais, quero propor um viés diferente: a reflexão a respeito da paz cotidiana.
Não se trata de criar uma alucinação pessoal de mundo, mas sim um exercício de aprender a conviver, e bem, com os desafios reais que a vida apresenta. A paz cotidiana não está em sobreviver à guerra, mas em atravessá-la com direção e propósito.
Derrota, vitória e oportunidade
O conteúdo abordado está no “Capítulo IV – Disposições Táticas” do citado livro, que aqui coloco a ideia central com as minhas palavras: a garantia de não ser derrotado está em nossas mãos, porém a oportunidade de vitória sobre o inimigo é dada por este.
Veja que enquanto a derrota está no campo de atuação daquele que se defende, a vitória é devida às condições do adversário que geram uma oportunidade de ser derrotado. Além disso, enxergar a possibilidade de se aproveitar da defesa deficiente é uma capacidade para se sair vitorioso.
Agora, note que o foco da nossa reflexão não está em discutir os conceitos de derrota e vitória, mas na relação entre estes, vamos a alguns exemplos para entender essa conexão.
Conflitos do dia a dia
Para compreender como essa lógica se aplica à vida comum, pensemos em situações corriqueiras.
Num sistema de competição comum, como por exemplo futebol, as equipes podem perder, ganhar ou empatar, porém no contexto de um campeonato ao final haverá um campeão, e o restante dos competidores serão os perdedores.
A lógica é bem simples e estamos acostumados a isso nos mais diversos setores da sociedade, seja na busca de um emprego, na conquista de uma pessoa e em negociações envolvendo produtos e dinheiro.
Você pode se preparar para uma entrevista, evitando a derrota, mas a vaga pode ou não surgir (oportunidade).
Pode também se arrumar, sair com uma pessoa e ter uma boa conversa, mas o “sim” da outra depende dela, da mesma forma que em uma negociação é possível oferecer e argumentar, mas o outro precisa ceder estar disposto a também.
A ideia é enxergar que deixar de perder e ganhar são termos dissociados, inclusive no dia a dia.
Vencer não é apenas deixar de perder
Primeiro, lembre-se de que a obra traz os pensamentos de um general, assim está dentro do contexto militar, e embora a guerra exista esta é um meio para se atingir um objetivo.
Assim, como vivemos em constante conflito com a vida - buscando oportunidades melhores de trabalho ou combatendo a preguiça de acordar cedo em dias frios - a essência dos pensamentos do autor ressoa na prática em nossa vivência.
Voltando ao trecho do livro, se a minha derrota depende de mim e a vitória vem da brecha do adversário mais a minha capacidade de ver essa oportunidade, logo temos duas situações que embora relacionadas num mesmo contexto uma não é necessariamente a causa e consequência da outra.
É importante notar que enquanto a derrota está na esfera defensiva, especificamente, naquilo que está ao meu controle, a vitória situa-se na dimensão ofensiva, em que há fatores do atacante e do defensor.
Empate não ganha jogo
Na nossa vida há igualmente fatores que se submetem a nós exclusivamente e outras questões que dependem da gente e mais um contexto favorável a isso (capacidade de enxergar a brecha e a oportunidade apresentada).
No campo profissional, por exemplo, aquele que se capacita, mantém-se atualizado e atento ao contexto do mercado de trabalho muito provavelmente consegue enxergar oportunidades de evoluir e avançar na carreira.
Por outro lado, aquele que se preocupa apenas em manter aquilo que já tem, ao longo prazo tende a estagnação, devido a falta da capacidade ofensiva no sentido da progressão rumo a um objetivo.
Muitas vezes preferimos “empatar” com vida: não perdemos, porém também não ganhamos. Mas o decurso de tempo vai cobrar os pontos perdidos e no final do campeonato somente o empate não é suficiente, por óbvio, para levar a campanha vitoriosa.
Paz cotidiana
Essa é a forma como o processo de conflito envolvendo as movimentações de ataque e defesa atuam (claro de maneira simplificada), mas o exercício do texto é chegar a paz cotidiana.
Logo, entendida que essa dinâmica é um processo de sair de uma situação para chegar a outra, chega-se à conclusão de que essa movimentação não é a própria finalidade em si, mas o meio pelo qual se chegar a um objetivo.
Portanto, chegar a paz cotidiana não significa ausência de obstáculos, mas sim o entendimento de que estão no contexto do caminho para se chegar a um objetivo maior.
Dessa maneira tiramos nosso foco do conflito e passamos a empenhar nossas energias e capacidades no propósito, tirando o peso do combate diário. Então eu te pergunto: prefere viver em guerra ou buscar a paz?
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