Do Homo sapiens ao "Homo trendiens"


Descobertas científicas como vacinas contra o câncer, uso de ferramenta de IA para detectar tumores e a descoberta de água líquida em Marte despertam a curiosidade e o fascínio pelos avanços da ciência. Tais exemplos podem ser conferidos na matéria da BBC “7 descobertas que se destacaram em 2024 pelo seu impacto na vida humana”.

Naturalmente, passamos a pensar como esses novos conhecimentos atingirão nossa vida na prática e dessa forma diversas formulações e ideias começam a surgir como – “será que essa vacina pode salvar muita gente”, “se conseguíssemos ir para Marte, poderíamos usar essa água?” etc.

Porém, embora os resultados das pesquisas desempenhem um papel impactante na evolução humana, seja proporcionando qualidade de vida ou causando interferências no ambiente natural, social ou econômico, também é importante refletir sobre a tecnologia mais avançada da humanidade: o corpo humana

 Tecnologia orgânica

Aqui é importante frisar que iremos tratar o corpo humano de forma integrada em seus aspectos físicos, emocionais e mentais/psicológicos como uma tecnologia e o que fazemos do uso desta.

Segundo matéria publicada pela National Geographic Brasil intitulada “Qual é a origem da humanidade segundo a ciência” o nosso ancestral denominado Homo sapiens evoluiu entre 300 mil e 200 mil anos atrás.

Ainda de acordo com o texto, esse ser tinha habilidades que envolviam a linguagem, vivência em grupos, cozimento de alimentos e o desenvolvimento da agricultura. Apesar disso, é intuitivo pensar que naquele contexto de vida a busca pela sobrevivência era intensa.

Não é difícil imaginar um grupo desses seres humanos fugindo do ataque de predadores ou eventos climáticos – e sobrevivendo, prova disso somos nós, os descendentes.

 

Construção 

Essa sobrevivência pode ser pensada a partir da teoria da evolução de Darwin, contudo o exercício aqui é perceber o caminho percorrido.

Por exemplo, nesses 300 mil anos diversas gerações de Homo sapiens se sucederam, dentro destas, indivíduos aprenderam e desenvolveram habilidades mais apuradas, tiveram na condição genética um fator que dava vantagem em relação ao ambiente em que viviam.

Como consequência, os indivíduos e grupos mais adaptados à realidade de vida e do contexto conseguiam produzir novas gerações, que os sucediam tendo a coletividade como a guardiã das conquistas de habilidades e características genéticas para as futuras gerações.

Assim como a ciência moderna se baseia em testes e melhorias contínuas, nosso corpo é o produto de um experimento natural de 300 mil anos, no qual apenas as adaptações mais eficazes sobreviveram.

 

Uso dos resultados

Com esse entendimento pode-se dizer que estamos de posse de uma tecnologia que levou milênios para ser desenvolvida. Uma tecnologia capaz de se autorreparar, vide a cicatrização de machucados assim como exercer o raciocínio e ter habilidade suficiente para pesquisar outro planeta.

Além do mais, se antes era preciso arrumar um abrigo para fugir da chuva ou de animais, hoje é possível ter uma casa e não estar tão sujeito às circunstâncias naturais. Doenças que antes nem havia conhecimento hoje possuem tratamento.

Contudo, como a maioria de nós utilizamos essa tecnologia orgânica com 300 mil anos de aprimoramento?

Nosso aparato físico que antes não sabia bem quando e como seria a próxima refeição hoje é levado ao extremo na sua capacidade de se autorreparar com os excessos alimentares e tóxicos, seja em alimentos ou vícios como bebidas alcoólicas, ricas ou cigarro.

Nosso sistema nervoso que precisou se desenvolver para aprender a adaptar pedras e ossos para construir ferramentas, atualmente sofre sobrecarga pelo consumo de conteúdos (isso quando há algum conteúdo) de verdadeiro lixo informacional.

 

Gastando ou investindo?

Só para termos uma ideia, segundo o Digital 2025: GlobalOverview Report – Brazil, o brasileiro passa em média 3h32min por dia em redes sociais (2025). Em termos práticos, se o dia tem 24h e você dorme 8h, assim você passa 22% do seu tempo acordado em redes sociais.

Mas calma, se você não entendeu a situação das redes sociais, vamos a uma outra comparação. Muitas pessoas alegam que não tem tempo para estudar por conta da rotina, porém ainda assim passam tempo nas mídias sociais.

Então vamos a um exemplo de estudo. Segundo o MEC, a carga horária mínima de uma pós-graduação lato sensu é de 360 horas. Considerando a média diária de tempo gasto nas redes, se isso fosse convertido em estudo seria possível fazer 3 cursos de especialização ou MBA em 1 ano.

Claro que não estou dizendo que é ruim ter entretenimento, momentos de lazer utilizando os meios digitais, mas propondo a reflexão: você carrega uma tecnologia aperfeiçoada por 300 mil anos, financiada por toda a humanidade: use-a de forma digna, cumprindo seu propósito para incrementar o investimento da coletividade.

 

 

 

 

 

Comentários