Não é apenas sombra e água fresca
Este texto surgiu como uma ideia após ler o intrigante livro “Pensando em sistemas: Como o pensamento sistêmico pode ajudar a resolver os grandes problemas globais” cuja autora é Donella H. Meadows com tradução de Paulo Afonso.
Confesso que não me lembro por quais circunstâncias eu cheguei a este livro, mas foi uma leitura muito agradável e cheia de aprendizado, o qual recomendo para toda pessoa que queira realmente pensar de forma integrada e mudar a maneira de analisar situações e enxergar como as coisas funcionam.
Enfim, no livro a autora demonstra, de início como uma forma simplificada, o funcionamento de um sistema, exemplificando com uma banheira que recebe água por um cano e um ponto pelo qual escoa a água, constituindo um fluxo de entradas e saídas de água e a relação desta com o volume do líquido armazenado.
Aqui, de maneira bem resumida — pois o objetivo não é uma crítica literária — ela mostra que é possível encher a banheira de diferentes formas: aumentando o fluxo que entra e diminuindo o que sai, ou mesmo reduzindo o que entra, mas interrompendo totalmente a saída.
O raciocínio que precisamos para este texto é que aprendendo a olhar algo de uma maneira mais contextualizada e interligada é possível encontrar diferentes formas de se atingir um resultado.
Filtro de barro
Com o devido respeito com a autora, eu vou abrasileirar e adaptar a figura visual do sistema para a nossa reflexão, com isso, em vez de uma banheira utilizaremos o famoso filtro de barro, conhecido em unanimidade pelos brasileiros. Então imagine o seu filtro, pode ser com capa de renda na borda e desenho de galinha d’angola ou só no natural da sua cor de terra cozida.
O funcionamento é simples, abre-se uma tampa de plástico, geralmente marrom também, coloca-se água, esta é filtrada na parte superior e ao cair de gotas vai enchendo a parte de baixo. Esta tem uma torneira que ao ser aberta despeja água fresca e filtrada.
Agora quero que pense esse sistema de filtragem como uma metáfora para a sua vida, sendo que o líquido colocado na parte superior são as suas ações, pensamentos e crenças, e a água que cai no copo como os resultados que deseja.
De início pode-se pensar que se trata de algo simplório, afinal se coloco água no final vai ter água, só que filtrada, mas entrando no campo prático, quantas vezes já foi tomar água e não conseguiu porque não havia o suficiente na parte de baixo?
Variáveis
Nossa vida, assim como o filtro de barro, é interrelacionada a diversas variáveis que podem influenciar o resultado. Uma questão importante é que alguns desses elementos podem ser controláveis por nós e outros não
Por exemplo, abastecer a parte superior para que tenha conteúdo a ser filtrado. Isso é algo que podemos fazer, assim como é possível por meio de esforços próprios buscar os resultados desejados.
No entanto, pensando no sistema de forma global, do mesmo modo que a água passa por um filtro, nossos esforços estão conectados a um contexto, aqueles não são jogados ao universo, mas sim se encaixam neste. Logo, eu pergunto, eu posso controlar o meu empenho, mas consigo fazer a mesma coisa com o universo?
Logicamente, há grandes limitações em manipular todo o universo, mas da mesma maneira que posso lavar o filtro para diminuir a resistência da sujeira acumulada e conseguir uma filtragem mais constante e até mais veloz, também posso agir no contexto ao redor da minha vida para facilitar que a minha dedicação alcance o resultado desejado.
Por exemplo, eu quero crescer profissionalmente e me dedico a estudar e me capacitar, porém atuo em um contexto ou de uma forma que não permite o maior aproveitamento dos meus estudos e experiência. Logo é bem provável que a questão não seja a capacitação, mas o meio ou maneira em que estão sendo empregados os seus conhecimentos e capacidade, e mais, se realmente estes estão sendo utilizados.
Fatores invisíveis
“Ah, mas eu coloco água, o filtro é novo sem sujeira e mesmo assim quando vou na parte de baixo parece que tem menos do que o volume que coloquei na parte superior”, você pode dizer.
É aqui que o pensamento sistêmico se faz mais presente, para explicar a razão da água estar sempre fresca, pois a relação da porosidade e temperatura ambiente vão influenciar no resultado, e no caso, no volume de água final.
Assim é também na nossa vida: quando sentimos que nossa dedicação não chega ao lugar desejado, talvez seja o momento de ampliar a visão do que nos cerca, pois pode haver fatores, até então invisíveis, atuando naquela situação.
Além disso, é preciso analisar se são fatores nos quais posso interferir ou não. Por exemplo: não posso mudar a porosidade do filtro, mas posso aumentar o fluxo de água que entra ou usar um filtrante mais eficiente para aumentar o volume filtrado.
A grande questão da nossa reflexão é ir além do trivial, enxergando possibilidades dentro do nosso raio de ação — ou seja, nas variáveis que podemos controlar. Assim, em vez de buscar culpados para a vida não dar certo, tomamos consciência de que existe apenas um responsável: eu mesmo.
Confesso que não me lembro por quais circunstâncias eu cheguei a este livro, mas foi uma leitura muito agradável e cheia de aprendizado, o qual recomendo para toda pessoa que queira realmente pensar de forma integrada e mudar a maneira de analisar situações e enxergar como as coisas funcionam.
Enfim, no livro a autora demonstra, de início como uma forma simplificada, o funcionamento de um sistema, exemplificando com uma banheira que recebe água por um cano e um ponto pelo qual escoa a água, constituindo um fluxo de entradas e saídas de água e a relação desta com o volume do líquido armazenado.
Aqui, de maneira bem resumida — pois o objetivo não é uma crítica literária — ela mostra que é possível encher a banheira de diferentes formas: aumentando o fluxo que entra e diminuindo o que sai, ou mesmo reduzindo o que entra, mas interrompendo totalmente a saída.
O raciocínio que precisamos para este texto é que aprendendo a olhar algo de uma maneira mais contextualizada e interligada é possível encontrar diferentes formas de se atingir um resultado.
Filtro de barro
Com o devido respeito com a autora, eu vou abrasileirar e adaptar a figura visual do sistema para a nossa reflexão, com isso, em vez de uma banheira utilizaremos o famoso filtro de barro, conhecido em unanimidade pelos brasileiros. Então imagine o seu filtro, pode ser com capa de renda na borda e desenho de galinha d’angola ou só no natural da sua cor de terra cozida.
O funcionamento é simples, abre-se uma tampa de plástico, geralmente marrom também, coloca-se água, esta é filtrada na parte superior e ao cair de gotas vai enchendo a parte de baixo. Esta tem uma torneira que ao ser aberta despeja água fresca e filtrada.
Agora quero que pense esse sistema de filtragem como uma metáfora para a sua vida, sendo que o líquido colocado na parte superior são as suas ações, pensamentos e crenças, e a água que cai no copo como os resultados que deseja.
De início pode-se pensar que se trata de algo simplório, afinal se coloco água no final vai ter água, só que filtrada, mas entrando no campo prático, quantas vezes já foi tomar água e não conseguiu porque não havia o suficiente na parte de baixo?
Variáveis
Nossa vida, assim como o filtro de barro, é interrelacionada a diversas variáveis que podem influenciar o resultado. Uma questão importante é que alguns desses elementos podem ser controláveis por nós e outros não
Por exemplo, abastecer a parte superior para que tenha conteúdo a ser filtrado. Isso é algo que podemos fazer, assim como é possível por meio de esforços próprios buscar os resultados desejados.
No entanto, pensando no sistema de forma global, do mesmo modo que a água passa por um filtro, nossos esforços estão conectados a um contexto, aqueles não são jogados ao universo, mas sim se encaixam neste. Logo, eu pergunto, eu posso controlar o meu empenho, mas consigo fazer a mesma coisa com o universo?
Logicamente, há grandes limitações em manipular todo o universo, mas da mesma maneira que posso lavar o filtro para diminuir a resistência da sujeira acumulada e conseguir uma filtragem mais constante e até mais veloz, também posso agir no contexto ao redor da minha vida para facilitar que a minha dedicação alcance o resultado desejado.
Por exemplo, eu quero crescer profissionalmente e me dedico a estudar e me capacitar, porém atuo em um contexto ou de uma forma que não permite o maior aproveitamento dos meus estudos e experiência. Logo é bem provável que a questão não seja a capacitação, mas o meio ou maneira em que estão sendo empregados os seus conhecimentos e capacidade, e mais, se realmente estes estão sendo utilizados.
Fatores invisíveis
“Ah, mas eu coloco água, o filtro é novo sem sujeira e mesmo assim quando vou na parte de baixo parece que tem menos do que o volume que coloquei na parte superior”, você pode dizer.
É aqui que o pensamento sistêmico se faz mais presente, para explicar a razão da água estar sempre fresca, pois a relação da porosidade e temperatura ambiente vão influenciar no resultado, e no caso, no volume de água final.
Assim é também na nossa vida: quando sentimos que nossa dedicação não chega ao lugar desejado, talvez seja o momento de ampliar a visão do que nos cerca, pois pode haver fatores, até então invisíveis, atuando naquela situação.
Além disso, é preciso analisar se são fatores nos quais posso interferir ou não. Por exemplo: não posso mudar a porosidade do filtro, mas posso aumentar o fluxo de água que entra ou usar um filtrante mais eficiente para aumentar o volume filtrado.
A grande questão da nossa reflexão é ir além do trivial, enxergando possibilidades dentro do nosso raio de ação — ou seja, nas variáveis que podemos controlar. Assim, em vez de buscar culpados para a vida não dar certo, tomamos consciência de que existe apenas um responsável: eu mesmo.
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