Esquecer de crescer para apenas sobreviver
Se você pudesse estabelecer a diferença entre uma criança e um adulto por meio de uma palavra, qual seria? Inocência, maturidade, responsabilidade e até boleto são algumas que primeiro surgem na mente, mas na minha opinião, a disparidade se dá pelo termo “abertura”.
A criança quando nasce chega a um ambiente ao qual se vê obrigada a se adaptar ao mesmo tempo em que vai evoluindo física, psicológica e emocionalmente. Para chegar a dar um passo é mais ou menos um ano de intenso desenvolvimento motor.
Aprender a falar e dizer uma simples frase que mais pessoas além dos pais entendam é uma conquista que depende de um grande trabalho de aprender a ouvir, a imitar o som, ligar conceitos e externalizar um encadeamento de ideias conforme a lógica do sistema linguístico da sociedade.
Contudo, apesar de estar aprendendo tudo, errando na maioria das vezes, sob o nosso ponto de vista adulto, a criança, mesmo que com birras e frustrações, segue tentando aprender.
Maioridade
Agora vamos ao mundo adulto, cheio de obstáculos e desafios continuam, mas com outra natureza, e diferente da criança, o aprendizado acumulado ao longo dos anos serve como ferramenta para a solução de inúmeras situações, enquanto na primeira é a descoberta e a criatividade que servem para resolver os enigmas do mundo.
Fato é que o conhecimento adquirido pelo ser humano mais velho é ótimo em alternativas práticas e encurta o caminho do pensamento porque traz uma fórmula já consagrada ou utilizada anteriormente para dar a resposta a determinada circunstância.
Porém, utilizar o conhecimento adquirido como uma equação de elementos fixos para se chegar o mais rápido possível a uma determinada conclusão pode servir como uma formatação das nossas ideias e crenças.
Por exemplo, se estou acostumado a preparar o arroz na proporção de uma parte deste para duas de água e isso dá certo, e realizando esse procedimento várias vezes com o mesmo resultado, logo, essa é a maneira de se fazer esse tipo de prato.
Mas será realmente que este seria o único modo de fazer arroz? E se mudar a proporção o que acontece? Se trocar o grão por outro de cor, formato ou tipo diferente? A experiência culinária mostra que a combinação pode trazer os mais variados resultados gastronômicos, indo além da forma de pensar inicial.
Formatação
Claro que o exemplo anterior é muito simples, e se aplicarmos esse raciocínio a algo menos concreto, como nossas crenças?
Pense nos conceitos de certo e errado que possui, por exemplo, você pode pensar que todos tem a liberdade de escolher a sua própria religião, mas a sua crença determina que a sua religiosidade é a verdadeira em relação ao divino.
Existe aqui uma oposição com base em ideias formatadas, na qual, em linhas gerais, a pessoa aceita o divino como algo compartilhado com os outros, todavia existe um caminho que leva a Deus que seria certo e outro seria errado, sendo que o correto seria o seu. Isso, demonstra um antagonismo com uma aparente aceitação de que existem outras opções que levam ao sagrado.
No entanto, observe uma turma com várias crianças em idades próximas e note que elas brincam umas com as outras, pode até haver desavenças e preferências em relação a um brinquedo ou pessoa, mas no fim, se divertem juntas. Não há uma segregação embasada em conceitos pré-estabelecidos, apenas um desentendimento circunstancial.
A metáfora da turma de criança é uma forma de demonstrar uma aplicação concreta de conceitos abstratos e transcendentes, mas vamos a outra situação que revela a diferença entre a abertura da criança e do adulto.
Pense na forma como se dá o aprendizado, enquanto a primeira parece estar sempre disposta a aprender, olhando o mundo como algo a ser descoberto e explorado, o segundo, na maioria das vezes, leva a vida conforme o ditado popular “cachorro velho não aprende truques novos”.
Agora, por um momento preste atenção na sua vida e ao que vem acontecendo, e reflita se para você o ato de viver é cansativo, chato, pesado ou pouco estimulante. Se alguma dessas palavras se encaixou na descrição da sua existência, então é provável que não esteja aprendendo “truques novos”.
Mas talvez toda essa nossa conversa não seja apenas sobre conhecer “truques novos”, mas sim quando deixamos de estar abertos a descobrir o que a vida tem a nos oferecer e revelar.
A criança quando nasce chega a um ambiente ao qual se vê obrigada a se adaptar ao mesmo tempo em que vai evoluindo física, psicológica e emocionalmente. Para chegar a dar um passo é mais ou menos um ano de intenso desenvolvimento motor.
Aprender a falar e dizer uma simples frase que mais pessoas além dos pais entendam é uma conquista que depende de um grande trabalho de aprender a ouvir, a imitar o som, ligar conceitos e externalizar um encadeamento de ideias conforme a lógica do sistema linguístico da sociedade.
Contudo, apesar de estar aprendendo tudo, errando na maioria das vezes, sob o nosso ponto de vista adulto, a criança, mesmo que com birras e frustrações, segue tentando aprender.
Maioridade
Agora vamos ao mundo adulto, cheio de obstáculos e desafios continuam, mas com outra natureza, e diferente da criança, o aprendizado acumulado ao longo dos anos serve como ferramenta para a solução de inúmeras situações, enquanto na primeira é a descoberta e a criatividade que servem para resolver os enigmas do mundo.
Fato é que o conhecimento adquirido pelo ser humano mais velho é ótimo em alternativas práticas e encurta o caminho do pensamento porque traz uma fórmula já consagrada ou utilizada anteriormente para dar a resposta a determinada circunstância.
Porém, utilizar o conhecimento adquirido como uma equação de elementos fixos para se chegar o mais rápido possível a uma determinada conclusão pode servir como uma formatação das nossas ideias e crenças.
Por exemplo, se estou acostumado a preparar o arroz na proporção de uma parte deste para duas de água e isso dá certo, e realizando esse procedimento várias vezes com o mesmo resultado, logo, essa é a maneira de se fazer esse tipo de prato.
Mas será realmente que este seria o único modo de fazer arroz? E se mudar a proporção o que acontece? Se trocar o grão por outro de cor, formato ou tipo diferente? A experiência culinária mostra que a combinação pode trazer os mais variados resultados gastronômicos, indo além da forma de pensar inicial.
Formatação
Claro que o exemplo anterior é muito simples, e se aplicarmos esse raciocínio a algo menos concreto, como nossas crenças?
Pense nos conceitos de certo e errado que possui, por exemplo, você pode pensar que todos tem a liberdade de escolher a sua própria religião, mas a sua crença determina que a sua religiosidade é a verdadeira em relação ao divino.
Existe aqui uma oposição com base em ideias formatadas, na qual, em linhas gerais, a pessoa aceita o divino como algo compartilhado com os outros, todavia existe um caminho que leva a Deus que seria certo e outro seria errado, sendo que o correto seria o seu. Isso, demonstra um antagonismo com uma aparente aceitação de que existem outras opções que levam ao sagrado.
No entanto, observe uma turma com várias crianças em idades próximas e note que elas brincam umas com as outras, pode até haver desavenças e preferências em relação a um brinquedo ou pessoa, mas no fim, se divertem juntas. Não há uma segregação embasada em conceitos pré-estabelecidos, apenas um desentendimento circunstancial.
A metáfora da turma de criança é uma forma de demonstrar uma aplicação concreta de conceitos abstratos e transcendentes, mas vamos a outra situação que revela a diferença entre a abertura da criança e do adulto.
Pense na forma como se dá o aprendizado, enquanto a primeira parece estar sempre disposta a aprender, olhando o mundo como algo a ser descoberto e explorado, o segundo, na maioria das vezes, leva a vida conforme o ditado popular “cachorro velho não aprende truques novos”.
Agora, por um momento preste atenção na sua vida e ao que vem acontecendo, e reflita se para você o ato de viver é cansativo, chato, pesado ou pouco estimulante. Se alguma dessas palavras se encaixou na descrição da sua existência, então é provável que não esteja aprendendo “truques novos”.
Mas talvez toda essa nossa conversa não seja apenas sobre conhecer “truques novos”, mas sim quando deixamos de estar abertos a descobrir o que a vida tem a nos oferecer e revelar.
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