Desejo real ou eco do problema?

 


Neste blog já conversamos a respeito de autoconhecimento em vários momentos, um deles é o post “O problema de consertar o problema” que traz uma proposta de mudança de foco do obstáculo para a solução.

Neste novo texto conversaremos sobre autoconhecimento também, mas complementando o artigo citado anteriormente, oferecendo mais uma forma de pensar e refletir sobre nossas crenças, atitudes e resultados.

Para facilitar a assimilação dos conceitos, vamos partir de algo simples que incomoda e gostaríamos de mudar: a bagunça cotidiana de uma casa, pois acredito que seja um consenso para quem possui alguma sanidade mental não gostar de viver no meio da desordem, sujeira e confusão.

Devido a correria do dia a dia nem sempre conseguimos ficar com a casa arrumada da forma que gostaríamos, e se há crianças o desafio é ainda maior.

Pois bem, o dia amanhece promissor e a noite chega em tal velocidade que as horas parecem encurtar cada vez mais com o passar da semana. A sensação é que 24h já não medem exatamente mais as 24h.

Agora, preste atenção no que pensa quando se depara com essa situação. Muito provavelmente deve vir a sua cabeça expressões como “não gosto da casa bagunçada, preciso arrumar”, “não aguento mais essa desordem, tenho que dar um jeito” ou até “eu tento, mas não consigo vencer essa confusão todo dia”.

Veja mais detalhadamente que o foco está na bagunça, por mais que possa vir logo em seguida uma proposta de arrumação, o problema continua sendo o fator principal da situação, e não a resolução daquele. Assunto já tratado no posto citado lá no primeiro parágrafo.

 

Circularidade problemática

Ok, encontramos um primeiro ponto a refletir, mudar o holofote da dificuldade para a resolução, isso não significa que irá desconsiderar a adversidade, mas sim passará a ver a situação a partir de uma proposta de solução, afixando sua atenção a um ponto de chegada positiva e não mais um ponto de partida que parecia irresoluto.

A repetição do pensamento focado no problema, criando um sistema de autoalimentação do próprio incômodo é o que chamo de circularidade problemática, como se fosse um ciclo vicioso. Ficamos viciados naquela situação desagradável.

Compreender esse mecanismo é muito importante porque tirará o nosso pensamento de uma circularidade em volta da nossa situação de contrariedade. Voltando ao exemplo, perceba que a atitude mental era sempre pensar em arrumar a bagunça da casa, ou seja, o cerne estava na problemática, e não no resultado desejado, qual seja em ter uma casa arrumada.

Dessa forma chegamos a outro ponto importante, esse modelo mental focado no obstáculo nos faz concentrar muito mais naquilo que não queremos em vez daquilo que realmente desejamos.

Em termos práticos, esse modelo nos prende em pensamentos circulares que reforçam os aspectos negativos da circunstância, deixando a solução em segundo plano. O resultado é a sabotagem na resolução daquela atribulação. Perceba que quanto mais pensamos na bagunça ela parece ficar maior?

Assim também é para uma dor, seja física ou emocional, a dimensão e a importância destas serão variáveis de acordo com a sua natureza, causa e foco. Exemplos reais disso podem ser vistos facilmente na mídia, de pessoas que enfrentaram doenças ou situações de saúde de forte agressão ao corpo e ao psiquismo, mas afirmam que o sucesso em vencer a doença ou as limitações aconteceu porque estavam pensando sempre em melhorar.

Logo, o nosso caminho é mudar conceitos para mudar atitudes e com isso conseguir resultados diferentes, tirando nossa vida da circularidade problemática, mudando nossa direção para o compromisso com o que desejamos.

 

 

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