O drama da existência


O que o Batman, Goku, Harry Potter, Sherlock Holmes, Bentinho, Iracema, Tarzan, James Bond e Aragorn tem em comum com você e eu? Todos nós podemos ser apenas um personagem.

Para entender essa comparação vamos exercitar nossa criatividade, mas primeiro esteja ciente de que não é o foco analisar sob o rigor das teorias da psicologia ou sociologia, mas refletir por meio dos exemplos.

Por uns instantes, pare, e pense na sua vida, buscando perceber qual é a sua posição no seu contexto cotidiano. Veja se é pai, marido, filho, empregado, patrão, ou seja, o que você é dentro do seu sistema de vida.

Agora, utilizando-se dessas referências, olhe o que você faz em cada uma dessas posições ou o que as outras pessoas esperam que você faça. Vamos dizer que estes seriam os seus papeis no seu modo de vida.

Por exemplo, em termos gerais, espera-se que um pai cuide dos filhos, logo a posição da paternidade tem como papel o cuidado com os seus sucessos. Sendo empregado, a expectativa é que trabalhe em troca de um salário, e por aí vai.

Voltando aos personagens citados no primeiro parágrafo, note que estes ocupam posições de heróis e protagonistas, e com isso realizam façanhas condizentes com seu status na história, como sacrifício, lutar por algo entre tantas outras coisas.

Em muitas histórias, de acordo com a posição do personagem e as ações tomadas ao longo da trama, é possível até antecipar de maneira lógica aquilo que acontecerá com ele no final e ter aquela sensação de “eu sabia que ia acontecer isso”.

 

Personagens e autores

Até aqui tudo bem, né? Tudo óbvio por enquanto, mas vamos sair da ficção e olhar para a nossa vida, comecemos pelas posições, estas são determinadas pelo quê?

Num roteiro, seja de quadrinhos, livro, filme ou jogo, a posição é determinada pelo criador daquela trama. Embora não tenha consciência disso, a criatura está pré-determinada a um espaço no contexto da obra.

Continuando o raciocínio, passemos agora a refletir sobre os papeis, quem ou o que diz o que devo fazer? Aqui é preciso ficar atento se as nossas ações são condicionadas por estímulos externos ou se elas realmente partem da nossa vontade.

Ressalto que essa análise é crucial, visto que na nossa analogia com as produções artísticas, é o escritor do enredo também quem define as ações do elemento ativo, ou seja, traça qual será o papel que este terá ao longo da sua jornada.

Pois bem, se neste momento ao relembrar suas vivências acabou se sentindo um espectador da sua própria vida, então é provável que esteve atuando como personagem na peça da sua existência, e não como autor.

Veja que é possível ser um ótimo ator, interpretar de maneira significante um papel, mas ainda assim está dentro de uma criação de outra pessoa, quem possui a real liberdade criativa é aquele com o poder de escrever a história.

O intérprete pode sair de uma produção e ir a outra, porém transitará entre criações alheias. A questão da atuação na vida não está em entender o papel que faz, mas sim em ser consciente da posição que ocupa no teatro da existência.

Assim, não se contente em ser apenas o protagonista da sua vida, busque também ser o autor do enredo existencial para que consiga desfrutar da liberdade de criar a sua própria realidade de vida.

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