O problema em consertar o problema


É comum pensarmos em consertar ou desfazer algo quando aquilo não está saindo de um modo que julgamos ruim, por exemplo, se meu carro está fazendo algum barulho estranho eu levo para o mecânico para arrumar o tal defeito.

Essa forma de pensar baseada na identificação de um problema e depois como consertar, eliminar ou desfazer é um caminho óbvio e comum, e na maioria das vezes “resolve” a situação.

A questão é que por mais pragmática que seja essa forma de pensar, ver as situações baseadas nessas premissas de encontrar e resolver a adversidade acaba por limitar o entendimento de forma contextualizada.

No exemplo do carro, posso até consertar o barulho, mas se não encontrar a causa originária do mal funcionamento é provável que esse empecilho retorne. A causa pode ser que sou mal motorista e não cuido do carro como deveria.

Ampliando o exemplo, pode ser também que a causa seja as péssimas condições do asfalto em que trafego. Note que quando penso em apenas reparar, o foco pode até parecer estar na resolução, mas na verdade ainda está preso no problema.

O detalhe para mudar essa forma de pensar é bem trivial, pois a resolução não está em saber como arrumar ou consertar, mas sim no que é capaz de fazer com que aquela complicação não chegue a existir.

Vamos a alguns outros exemplos


Claro que os exemplos citados são reduções de problemas complexos, mas aqui vale o entendimento do funcionamento do raciocínio, até porque a proposta é exercitar o pensamento e não oferecer soluções milagrosas e poderosas, isso já tem quem oferece por aí.

Para tornar esses conceitos mais concretos, vamos desdobrar os exemplos citados na tabela e ver como podem ser aplicados na prática.

Impedir que um rio seja poluído pode se dar por meio da educação do ser humano, ou por meio de lei que estabeleça um padrão de tratamento de despejos. Já no movimento pela paz pode-se demonstrar que em lugares sem conflitos armados as pessoas tendem a ser mais felizes, ter uma vida mais longa, exercício da empatia e promoção de ideias.

Quanto a tratar o ser humano pode-se, por exemplo, focar nos diversos aspectos componentes da vida que influenciam a saúde, como promoção de uma alimentação mais natural e saudável, foco na prevenção de doenças tendo como base o estilos de vida mais saudáveis.

Já quanto as necessidades de prioridades esse é um ponto agudo, então vamos para uma terapia de choque, numa sociedade que fomenta o consumo e que tudo tende a ser consumível com vida útil curta, que tal transformar o seu salário ou rendimento em horas de vida? Agora, calcule quanto tempo da sua existência é necessário para comprar determinada coisa.

De todas essas hipóteses o que fica para nós é que ao pensar em apenas consertar o problema, eu posso até resolvê-lo em certo ponto, contudo se eu for capaz de fazer algo diferente da origem deste incômodo então esta situação terá solução.

Assim quando se deparar com um problema faça um exercício para gastar suas energias realizando algo diferente e não em refazer, consertar ou desfazer. É complexo, mas vale o esforço.


 

 

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