Entrando para dentro ou saindo para fora
Tão certo quanto “cair para baixo” e “subir para cima” em algum momento da vida você já disse ou ouviu alguém dizer que “saiu para fora” ou “entrou para dentro”.
Essas duas últimas expressões populares que causam nervoso nos professores de português e nos corretores compulsivos serão nossos exemplos para refletir se estamos buscando ou fugindo de nós mesmos.
Para começar, acredito que a primeira coisa a mente da maioria das pessoas quando se fala em buscar é ir pegar algo fora, procurar alguma coisa em local diferente daquele que se está no momento.
Contudo a ideia de fugir também traz a noção de movimento, deslocamento, o que em determinados contextos pode se assemelhar ao conceito de buscar. Por exemplo, em um dia chuvoso você busca um abrigo, porque está fugindo da chuva.
Note que pensar em alguém procurando um local para escapar da chuva é exatamente um movimento de ir a outro lugar porque aquele em que estava já não tem as condições que julga boas para você.
Até aqui tudo bem, porque fugir da chuva é algo bem simples de visualizar, não é preciso maiores esforços mentais para se imaginar ou relembrar essa situação, mas e seu eu disser que podemos usar essa memória para ressignificar e refletir sobre a busca e a fuga?
Para facilitar a reflexão vamos dividir nossa história em dois momentos, o primeiro começou a chover e você está atrás de um abrigo, o segundo você está abrigado, e tem como movimento final estar em casa.
Primeiro momento
Começou a chover, as gotas pingam sobre seu corpo, atingindo primeiramente os ombros, recaindo sobre as costas, molham o peito, causando aquele primeiro arrepio eufórico da sensação da água gelada vindo das nuvens. O pisão na poça, encharcando o calçado até as meias decreta um caminho sem volta.
É necessário encontrar um abrigo, para pelo menos não piorar a situação, e começa o jogo de fuga e ocultação da água que cai do céu.
Percebam os elementos deste quadro, a chuva e o abrigo, assim como o movimento de deslocar-se de um ponto a outro formam um cenário em que a pessoa reage conforme os fatores externos que encontra no caminho.
O objetivo é escapar da chuva, contornar obstáculos e chegar em um ponto que entenda ser seguro diante daquela adversidade externa.
Note que, ao fugir da chuva, você não escolheu o destino livremente. Sua ação foi guiada pela necessidade de escapar do desconforto, reagindo a um fator externo. Mas agora, ao encontrar abrigo, surge um novo desejo: não apenas escapar, mas buscar algo que te acolha, que te traga conforto. E é aqui que o movimento muda. Você não está mais fugindo da chuva; está buscando estar em casa, um ambiente criado por sua vontade e não imposto pela tempestade.
Segundo Momento
Agora, abrigado da chuva embaixo de uma cobertura de loja, com as calças molhadas até a canela, percebe que as gotas ficaram mais finas, mas a sensação de frio é mais intensa já que o vento bate nas roupas encharcadas, trazendo o desejo angustiante de chegar em casa.
Chegando em casa, a primeira providência é se despir e tomar um banho quente, ficar à vontade no ambiente acolhedor, a salvo das intempéries que castigam o exterior da moradia.
Vamos analisar esse quadro. A casa é o destino. O ato de despir e a possibilidade de tomar um banho quente, em contraposição ao frio das roupas cobertas com água, mostram que aquele ambiente realmente é seguro, no qual o que acontece lá fora não afeta ali dentro.
Nota-se que os componentes dessa pintura são íntimos, não entrando na composição o lado externo, ali a pessoa não precisa reagir conforme estímulos alheios a sua vontade, ela pode atuar por ela mesma.
Assim, não existe uma interferência de fora na condução da vontade da pessoa, esta é movida pelo seu propósito de forma incondicionada, exatamente ao contrário do primeiro momento.
Interno e externo
Com as situações pensadas acima, é perceptível que enquanto um movimento tem como causas os fatores externos, o outro é direcionado a partir dos desejos internos. Mas qual deles é a fuga e a busca?
Vamos refletir, se um deslocamento é causado a partir de condições externas, logo pressupõe que há uma circulação com o propósito de se afastar daquele local/situação, assim se o intuito é esse então ele não é o de buscar, portanto trata-se de uma fuga.
Agora, quando a circulação acontece guiada por propósitos internos, significa que o objetivo não é se esquivar de algo, mas sim encontrar, por isso se está buscando.
Dessa forma, podemos pensar que se eu estou buscando algo, o caminho se desenvolve para dentro de si, enquanto no processo de fugir a minha direção se dá como reflexo das situações externas impostas.
Essa história da chuva é bem simples, mas nos ajuda a entender na prática conceitos complexos que no cotidiano costumam aparecer como questões dogmáticas como autoconhecimento, evolução e uma infinidade de variações mercadológicas de um produto para a resolução de todos os problemas da humanidade.
Então vamos desmistificar isso, começando a partir de hoje, percebendo se as nossas ações refletem apenas reações do que acontece ao nosso redor, apenas fugindo daquilo que nos é imposto, ou se realmente são escolhas vindas do nosso propósito interno, buscado por nossa própria vontade. Na sua vida, você está fugindo do que te incomoda ou buscando o que deseja?
Essas duas últimas expressões populares que causam nervoso nos professores de português e nos corretores compulsivos serão nossos exemplos para refletir se estamos buscando ou fugindo de nós mesmos.
Para começar, acredito que a primeira coisa a mente da maioria das pessoas quando se fala em buscar é ir pegar algo fora, procurar alguma coisa em local diferente daquele que se está no momento.
Contudo a ideia de fugir também traz a noção de movimento, deslocamento, o que em determinados contextos pode se assemelhar ao conceito de buscar. Por exemplo, em um dia chuvoso você busca um abrigo, porque está fugindo da chuva.
Note que pensar em alguém procurando um local para escapar da chuva é exatamente um movimento de ir a outro lugar porque aquele em que estava já não tem as condições que julga boas para você.
Até aqui tudo bem, porque fugir da chuva é algo bem simples de visualizar, não é preciso maiores esforços mentais para se imaginar ou relembrar essa situação, mas e seu eu disser que podemos usar essa memória para ressignificar e refletir sobre a busca e a fuga?
Para facilitar a reflexão vamos dividir nossa história em dois momentos, o primeiro começou a chover e você está atrás de um abrigo, o segundo você está abrigado, e tem como movimento final estar em casa.
Primeiro momento
Começou a chover, as gotas pingam sobre seu corpo, atingindo primeiramente os ombros, recaindo sobre as costas, molham o peito, causando aquele primeiro arrepio eufórico da sensação da água gelada vindo das nuvens. O pisão na poça, encharcando o calçado até as meias decreta um caminho sem volta.
É necessário encontrar um abrigo, para pelo menos não piorar a situação, e começa o jogo de fuga e ocultação da água que cai do céu.
Percebam os elementos deste quadro, a chuva e o abrigo, assim como o movimento de deslocar-se de um ponto a outro formam um cenário em que a pessoa reage conforme os fatores externos que encontra no caminho.
O objetivo é escapar da chuva, contornar obstáculos e chegar em um ponto que entenda ser seguro diante daquela adversidade externa.
Note que, ao fugir da chuva, você não escolheu o destino livremente. Sua ação foi guiada pela necessidade de escapar do desconforto, reagindo a um fator externo. Mas agora, ao encontrar abrigo, surge um novo desejo: não apenas escapar, mas buscar algo que te acolha, que te traga conforto. E é aqui que o movimento muda. Você não está mais fugindo da chuva; está buscando estar em casa, um ambiente criado por sua vontade e não imposto pela tempestade.
Segundo Momento
Agora, abrigado da chuva embaixo de uma cobertura de loja, com as calças molhadas até a canela, percebe que as gotas ficaram mais finas, mas a sensação de frio é mais intensa já que o vento bate nas roupas encharcadas, trazendo o desejo angustiante de chegar em casa.
Chegando em casa, a primeira providência é se despir e tomar um banho quente, ficar à vontade no ambiente acolhedor, a salvo das intempéries que castigam o exterior da moradia.
Vamos analisar esse quadro. A casa é o destino. O ato de despir e a possibilidade de tomar um banho quente, em contraposição ao frio das roupas cobertas com água, mostram que aquele ambiente realmente é seguro, no qual o que acontece lá fora não afeta ali dentro.
Nota-se que os componentes dessa pintura são íntimos, não entrando na composição o lado externo, ali a pessoa não precisa reagir conforme estímulos alheios a sua vontade, ela pode atuar por ela mesma.
Assim, não existe uma interferência de fora na condução da vontade da pessoa, esta é movida pelo seu propósito de forma incondicionada, exatamente ao contrário do primeiro momento.
Interno e externo
Com as situações pensadas acima, é perceptível que enquanto um movimento tem como causas os fatores externos, o outro é direcionado a partir dos desejos internos. Mas qual deles é a fuga e a busca?
Vamos refletir, se um deslocamento é causado a partir de condições externas, logo pressupõe que há uma circulação com o propósito de se afastar daquele local/situação, assim se o intuito é esse então ele não é o de buscar, portanto trata-se de uma fuga.
Agora, quando a circulação acontece guiada por propósitos internos, significa que o objetivo não é se esquivar de algo, mas sim encontrar, por isso se está buscando.
Dessa forma, podemos pensar que se eu estou buscando algo, o caminho se desenvolve para dentro de si, enquanto no processo de fugir a minha direção se dá como reflexo das situações externas impostas.
Essa história da chuva é bem simples, mas nos ajuda a entender na prática conceitos complexos que no cotidiano costumam aparecer como questões dogmáticas como autoconhecimento, evolução e uma infinidade de variações mercadológicas de um produto para a resolução de todos os problemas da humanidade.
Então vamos desmistificar isso, começando a partir de hoje, percebendo se as nossas ações refletem apenas reações do que acontece ao nosso redor, apenas fugindo daquilo que nos é imposto, ou se realmente são escolhas vindas do nosso propósito interno, buscado por nossa própria vontade. Na sua vida, você está fugindo do que te incomoda ou buscando o que deseja?

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