Quem toma as suas decisões por você?
Quando olhamos para o céu com nuvens acinzentadas e tons azulados, normalmente, deduzimos que pode ser que chova nas próximas horas ou minutos. Raciocínio semelhante fazemos ao ver uma comida em uma panela no fogão ou saindo do forno, de que o alimento está quente.
A conclusão sobre chuva ou temperatura pouco importa aqui, mas o importante para nós agora é o caminho feito e os desdobramentos desta sequência de pensamento no nosso cotidiano.
O primeiro ponto a perceber é que o desfecho da situação vem após o processamento de um conjunto de informações, no caso a observação das nuvens e o processo de cozimento, que encadeadas por meio de uma lógica deduzem um fato novo, diferente dos iniciais, mas conectado a eles.
Veja que os fatos são reais, existe nuvem, chuva, fogão, panela, fogo, temperatura, que correlacionados em determinada ordem de acontecimentos podem desencadear a precipitação de água e comida quentinha.
Essa lógica do pensamento, confirmada pelas observações do cotidiano, criam um raciocínio de causa e consequência entre esses fatores.
Criada essa correspondência, esta não será apenas uma equação desses elementos, como também um componente próprio de informação dentro do nosso modo de pensar.
Contudo, da mesma forma que aplicamos essa lógica para prever a chuva ou o calor, somos capazes conectar esta relação com outras informações ou associações.
Por exemplo: eu vejo nuvens então acredito que vai chover. Se chove, logo eu preciso de um abrigo para não ser molhado. Portanto, ao ver as nuvens deduzo que preciso de algum local para me proteger.
Até aqui nenhuma novidade, mas, num segundo ponto, perceba que a conclusão de um raciocínio é um elemento condicionante para o surgimento da próxima associação. Portanto, embora pareçam independentes, a conclusão do segundo pensamento é conexa com os elementos que formam o primeiro.
A quem obedeces?
Visualizar esse tipo de ideia em fatos como a chuva, por exemplo, é bem simples, podendo perceber os pontos de ligação entre os conceitos e conclusões, porém é possível trazer essa análise para os fatos da nossa vida.
Vamos a um exemplo, acompanhe as associações. Eu trabalho. Realizo a minha atividade remunerada porque preciso de dinheiro para viver. Com os valores que ganho consigo comprar determinadas coisas para me sustentar. Para que eu consiga estar satisfeito com o meu sustento preciso de casa, comida (churrasco e cerveja), um pouco de tempo livre e lazer.
Não vamos nos ater aqui aos conceitos de cada frase, mas sim no elo entre elas. Note que aquilo que considero essencial para o meu sustento é que irá formar o embasamento para a busca da minha atividade profissional.
Logo, o meu trabalho tem uma grande parcela de condicionantes dos conceitos advindos do que considero uma vida sustentável, assim eu realmente escolhi a minha atividade de maneira autônoma ou ela foi condicionada a fatores pré-determinados a ela?
Este é apenas um exemplo de aplicação em nossa vida em que foram consideradas ideias do próprio indivíduo, mas e se em vez dos meus conceitos de vida, a base fosse formada pelos ideais ou concepções daquilo que outra pessoa ou a sociedade em geral prega?
Indo mais a fundo, e se essas definições básicas alheias ao indivíduo forem formuladas como força das circunstâncias da vida, quem dirigirá a sua vida?
A conclusão desta pergunta não é difícil de imaginar, mas a proposta deste texto não é discutir um juízo de certo ou errado, porém é fazer uma constatação de que aquilo chamado de autonomia pode muito bem ser apenas uma vontade condicionada disfarçada, e pior, pode ser que o façam acreditar que isso é imutável.
Deixo aqui uma sugestão de leitura do próprio blog o texto “Entrando para dentro ou saindo para fora”

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